Por que o Sul liderou o crescimento de coworkings em 2024

Quando se fala em crescimento de coworking, a primeira imagem costuma ser São Paulo. Os dados de 2024 contam outra história. Segundo o Censo Coworking Woba 2025, foi a região Sul que liderou a expansão, com alta de 205%, à frente do Sudeste, que cresceu 106%. O mapa do setor está se redesenhando.
Esse número só faz sentido dentro do quadro nacional. O país cresceu 30,14% em 2024, como mostramos no texto sobre o crescimento do coworking no Brasil. A média geral esconde regiões em velocidades muito diferentes, e o Sul foi a que mais correu nesse período.
O que explica a liderança do Sul
Antes de comemorar o percentual, é preciso lê-lo com cuidado. Crescer 205% impressiona, mas parte de uma base menor que a do Sudeste. Em número absoluto de espaços, o Sudeste segue na frente. O Sul cresce mais rápido porque tinha menos, não porque virou de repente o centro do mercado.
Feita essa ressalva, o avanço sulista tem causas concretas. A região tem várias cidades de porte médio com economia diversificada. Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis puxam a demanda, mas o interior também participa. Não é uma capital gigante sugando tudo: é uma rede de cidades médias com fôlego próprio.
Florianópolis merece destaque pelo polo de tecnologia. Empresas de software, com times híbridos e necessidade de espaço flexível, encontram no coworking a solução certa para crescer sem travar em contrato de aluguel longo. Esse perfil casa com o que o censo mostra sobre quem mais usa o modelo no país.
A gente detalhou esse público no texto sobre o perfil de quem usa coworking no Brasil: tecnologia, vendas e finanças lideram. No Sul, a fatia de tecnologia tem peso extra, o que explica parte da demanda por salas de reunião e espaços para times pequenos em expansão.
Aqui vai o nosso contraponto ao entusiasmo fácil. Percentual alto vende manchete, mas não conta a história toda. Um crescimento de 205% sobre base pequena pode significar menos espaços novos do que uma alta modesta numa região já grande. Quem decide investir precisa olhar o número absoluto junto com a porcentagem.
O caso do Sul também serve de espelho para outras praças. Belo Horizonte e o interior de Minas têm perfil parecido: cidades de porte médio, economia diversificada e demanda crescente por trabalho flexível. Mostramos esse potencial no texto sobre os 347 coworkings de Minas Gerais.
O que o caso ensina para Minas e BH
A lição prática é que coworking não é fenômeno exclusivo de metrópole. Onde há economia de serviços, pequenas empresas e trabalho híbrido, a demanda aparece. O Sul provou isso em 2024. A pergunta para Minas é se a oferta local vai acompanhar essa demanda com qualidade, e não só com quantidade.
Para o profissional do Sul, a expansão é boa notícia com asterisco. Mais espaços significam mais escolha e, em tese, preços mais competitivos. O asterisco é o mesmo de sempre: crescimento rápido às vezes vem acompanhado de queda de padrão. Vale comparar antes de assinar, como sempre recomendamos.
Para situar o tema no contexto do trabalho brasileiro, o pesquisa do IBGE sobre trabalho remoto mostra que o trabalho remoto se manteve relevante no país. Onde o remoto cresce, cresce também a procura por um lugar com estrutura para reunir e focar fora de casa.
Há um limite metodológico que vale repetir. O Censo Coworking Woba 2025 mapeia operadores ligados à rede Woba, então o retrato regional tem um recorte. Ele aponta a tendência com clareza, mas não substitui um levantamento porta a porta de cada cidade. Use o dado como direção, não como número exato e final.
No fim, o Sul mostrou em 2024 que o crescimento do coworking saiu do eixo previsível. Cidades médias, economia diversificada e adesão ao híbrido formaram a receita. Para Minas e para Belo Horizonte, fica o convite: o caminho existe, e quem entender a demanda local primeiro larga na frente.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Quanto a região Sul cresceu em coworking em 2024?
A região Sul cresceu 205% no número de espaços de coworking em 2024, segundo o Censo Coworking Woba 2025. Foi a maior expansão entre as regiões, à frente do Sudeste, que avançou 106% no mesmo período.
Por que o Sul cresceu mais que o Sudeste?
O Sul partiu de uma base menor, o que amplia o percentual, e tem várias cidades de porte médio com economia diversificada. Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis puxaram a demanda, com forte adesão de pequenas empresas ao trabalho híbrido.
Crescimento de 205% significa mercado maduro no Sul?
Não necessariamente. Percentual alto sobre base pequena impressiona, mas não garante maturidade. O Sudeste segue com mais espaços em número absoluto. O Sul cresce rápido, porém parte de um ponto mais baixo de oferta.
O que o caso do Sul ensina para outras cidades?
Que coworking não é fenômeno só de capital grande. Cidades de porte médio com economia diversificada sustentam demanda real. Belo Horizonte e o interior de Minas podem seguir caminho parecido, desde que a oferta acompanhe com qualidade.
Como ler dados regionais de coworking sem exagero?
Olhe percentual e número absoluto juntos. Uma alta de 205% sobre base pequena cresce mais rápido no gráfico, mas pode representar menos espaços que uma alta menor em região já consolidada. Considere também o universo da amostra da pesquisa.



