Financeiro, vendas e tecnologia concentram 57% dos usuários de coworking

Existe um estereótipo grudado no coworking: o de que é território só de startup. Os dados de 2024 desmontam essa ideia. Segundo o Censo Coworking Woba 2025, finanças, vendas e tecnologia somam cerca de 57% dos usuários, sendo finanças 21,4%, vendas 21% e tecnologia 20%. O público é mais variado do que o clichê.
Esse retrato ajuda a entender o crescimento do setor. Como mostramos no texto sobre o crescimento do coworking no Brasil, o país avançou 30,14% em 2024. Quem puxou essa demanda não foi só o pessoal de tecnologia: foram também áreas tradicionais que migraram para o modelo flexível.
Quem realmente ocupa os coworkings
Repare na divisão. Tecnologia aparece em terceiro, não em primeiro. Finanças lidera, com vendas logo atrás. São dois setores que ninguém associa de imediato a mesa compartilhada, mas que descobriram no coworking a combinação certa de endereço profissional, sala de reunião e custo previsível.
O que une esses três grupos é o jeito de trabalhar. Todos reúnem muito. Todos vivem em agenda híbrida, com parte da equipe presencial e parte remota. Todos precisam receber cliente em um lugar apresentável. O coworking entrega isso sem o peso de alugar e montar um escritório inteiro.
Esse comportamento explica outro dado do censo. A sala de reunião para 6 a 10 pessoas é a mais reservada do país, tema que abrimos no texto sobre a sala de reunião mais usada. Setores que reúnem o tempo todo precisam, antes de tudo, de sala boa e disponível.
Em Belo Horizonte, esse perfil aparece nos eixos de serviços. Nas regiões da Savassi, de Funcionários e de Lourdes, a gente encontra consultorias, escritórios financeiros e pequenas empresas de software dividindo o mesmo andar. Cruzamos esse retrato com o mapa local no texto sobre os 347 coworkings de Minas Gerais.
Há também o público que chega pela porta do endereço comercial. Empreendedor que precisa formalizar a empresa procura o coworking pela sede e acaba ficando pelo ambiente. Esse caminho a gente destrinchou no guia sobre como escolher escritório virtual fiscal, e ele engrossa a fatia de serviços do censo.
Aqui vai o nosso contraponto à leitura preguiçosa do dado. Dizer que 57% são de três setores não significa que o resto não importa. Os 43% restantes incluem advogados, contadores, terapeutas, designers e consultores autônomos, gente que sustenta a ocupação nos dias e horários em que o pessoal corporativo não aparece.
Como usar o perfil do espaço na sua escolha
Esse público de cauda longa é estratégico para o operador. Ele preenche os dias mais vazios, equilibra a receita e traz diversidade de convivência. Um coworking que só atende corporativo fica ocioso na sexta. Um que mistura perfis mantém o espaço vivo a semana inteira.
Para o usuário, o perfil do espaço é critério de escolha que pouca gente usa. Vale visitar e observar quem ocupa o andar. Se o seu setor está bem representado, há mais chance de networking útil e de a estrutura atender o seu trabalho. Cheio do seu público costuma significar sala e serviço alinhados.
Para contextualizar o fenômeno, o Sebrae descreve o coworking como modelo de trabalho compartilhado voltado a quem quer reduzir custo fixo. É exatamente o cálculo que finanças, vendas e tecnologia fazem: pagar pelo que se usa, em vez de carregar um escritório inteiro no orçamento.
Há o limite de sempre. O Censo Coworking Woba 2025 mapeia operadores ligados à rede Woba, então o recorte de setores reflete esse universo. A tendência é confiável, mas a sua cidade pode ter um perfil próprio. Em uma praça com muita indústria ou turismo, a mistura pode mudar bastante.
No fim, o coworking brasileiro é menos clichê e mais escritório de verdade do que parece. Finanças, vendas e tecnologia formam a base, mas é a mistura com profissionais liberais que dá vida ao espaço. Entender quem está ali do lado ajuda a escolher melhor, e a aproveitar mais.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Quem mais usa coworking no Brasil?
Profissionais de finanças, vendas e tecnologia lideram, somando cerca de 57% dos usuários, segundo o Censo Coworking Woba 2025. São áreas com muita reunião, agenda híbrida e necessidade de endereço comercial, perfil que se encaixa no modelo flexível.
Qual a divisão por setor entre os usuários de coworking?
Segundo o Censo Coworking Woba 2025, finanças responde por 21,4%, vendas por 21% e tecnologia por 20% dos usuários. Os três setores juntos formam a maior parte do público, e o restante se divide entre serviços, consultoria e profissionais liberais.
Coworking é só para startup e tecnologia?
Não. Embora tecnologia tenha peso, finanças e vendas somam fatia maior que a do setor de tech sozinho. Consultores, advogados, contadores e pequenas empresas de serviço também ocupam coworking, o que torna o público mais variado do que o estereótipo sugere.
Por que esses setores escolhem coworking?
Porque trabalham em modelo híbrido, reúnem com frequência e precisam de endereço profissional sem o peso de um escritório próprio. O coworking entrega sala de reunião, internet e estrutura sob demanda, o que reduz custo fixo e dá flexibilidade para crescer.
Como o perfil de usuários ajuda a escolher um espaço?
Visite o espaço e observe quem ocupa o andar. Se o seu setor está bem representado, há mais chance de networking útil e de a estrutura atender suas necessidades. Um coworking cheio do seu público costuma ter salas e serviços alinhados ao seu trabalho.



